ENTENDA O QUE É A COOPERHABITAR, INICIATIVA QUE CONSTRUIU 179 CASAS NO BAIRRO CAJU
Quatro projetos foram aprovados na 2ª Sessão Extraordinária de 2025.
PUBLICADO EM 04/02/2025 - 10:49

No dia 22 de janeiro, o Plenário da Câmara Municipal foi tomado pela emoção de mais de 60 famílias. Isso porque quatro projetos de lei do Poder Executivo, relacionados à Cooperativa CooperHabitar, foram aprovados.

Esses projetos representam um importante avanço na luta das famílias da chamada "Ocupação Maria Bonita", que desde 2011 buscam uma moradia digna.

A ocupação teve início em 2011, quando as primeiras famílias se instalaram na região. Já em 2012, a Cooperativa CooperHabitar começou a atuar junto a essas famílias, viabilizando a construção das moradias por meio do Programa Minha Casa Minha Vida – Faixa 2 – Entidades.

A administração das obras na Ocupação Maria Bonita é dividida entre duas entidades: a comissão da CREA-RS, responsável pela parte financeira, e a comissão do CAU, encarregada das vistorias. Atualmente, a comissão do CAO é formada pelas futuras moradoras Ana Paula Warttmann, Jocelaine Nunes, Lídia Warttmann, entre outras.

Em entrevista, a comissão explicou que, ao longo dos anos, muitas famílias aderiram ao projeto, mas desistiram devido às dificuldades enfrentadas. O primeiro projeto para a liberação dos recursos foi apresentado em 2015, porém, as obras só começaram efetivamente em meados de 2019. Nesse período, o custo dos materiais de construção sofreu diversos aumentos.

Pouco tempo após o início das obras, a pandemia da Covid-19 trouxe novos desafios. Além do aumento dos preços dos materiais, o número de trabalhadores na construção foi reduzido em mais de 80% devido às restrições sanitárias.

Em 2022, grande parte da obra foi concluída, mas ainda faltavam recursos para a construção de 42 residências. Já em dezembro de 2023, por meio do Movimento Nacional de Luta pela Moradia, o Governo Federal realizou a suplementação financeira necessária para a finalização do projeto.

A comissão destacou que a expectativa pela entrega das moradias é imensa. "Quem morou aqui, sem banheiro, sem água potável, e hoje vê essas casas construídas sente que é um sonho realizado. Mas é um sonho realizado apenas parcialmente, pois as casas ainda não foram entregues", afirmaram.

Após a entrega das residências, os moradores precisarão arcar com os pagamentos conforme as regras do Programa Minha Casa Minha Vida – Faixa 2, com valores que variam entre 5% e 10% do salário durante cinco anos.

"A intenção nunca foi apenas ter uma casa. Sempre buscamos uma moradia digna para todos que precisavam. Sabíamos que seria difícil, pois essas casas foram erguidas com luta, força e resistência. Nosso objetivo nunca foi apenas ocupar um espaço, mas sim ajudar aqueles que mais necessitam. Ver essas casas de pé é emocionante, mas enquanto a última família não estiver morando aqui, não descansaremos. A mensagem que fica é que todo sonho vale a pena. Se tivéssemos que passar por tudo de novo, passaríamos, porque todo sonho vale a pena", concluiu a comissão.